Registar rótulos de garrafas de vinho na Venezuela é uma dor de cabeça para as exportadoras portuguesas. Para os Estados Unidos e a Rússia, há dificuldades em enviar simples amostras de vinho para jornalistas e importadores. E conseguir ultrapassar as barreiras sanitárias em países fora da União Europeia (UE) pode demorar cinco anos. Quando querem colocar produtos no exterior, as exportadoras nacionais en-contram pelo caminho uma série de limitações, desde exigências de cação a taxas aduaneiras ou factores cambiais que podem limitar os benefícios de estarem presentes fora de portas.
Dificuldades como estas não se colocam apenas às empresas portuguesas, antes são transversais a outros países da União Europeia que têm fora do mercado comunitário parceiros de exportação estratégicos.
Um relatório da Comissão Europeia sobre as limitações ao comércio e ao investimento identifi cou em Fevereiro 25 barreiras em sete parceiros comerciais (EUA, China, Japão, Índia, Rússia, Brasil e Argentina).
Nos países do Mercosul, como é o caso do Brasil, há uma limitação clara em que as empresas podem esbarrar à entrada: os direitos aduaneiros, que coloca
m problemas às exportações comunitárias ao aplicar taxas de imposto mais altas para centenas de produtos. Ou casos em que acordos bilaterais, regionais ou de comércio livre permitem isenções e taxas mais baixas às importações de países concorrentes de Portugal.
A Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal (AI-CEP) refere que, entre as barreiras mais comuns e que mais tempo demoram a resolver, estão aquelas que se relacionam com a exportação de produtos agro-alimentares.
De acordo com Nuno Vieira e Brito, secretário de Estado da Alimentação e da Investigação Agro-Alimentar, conservas de peixe, azeite, vinho, leite e lacticínios são os únicos produtos agro-alimentares que Portugal pode exportar para a China.
E no caso do leite só em finais de Maio é que as fronteiras se abriram pela primeira vez, depois de o dossier ter sido, finalmente, aprovado, num processo que se arrastava desde 2004. Para as empresas do sector do leite, o potencial económico da abertura à China poderá ser de 12 a 13 milhões de euros numa primeira fase, avançou ao PÚBLICO.
A internacionalização dos produtos agrícolas e alimentares tem ocupado o tempo de Nuno Vieira e Brito, que quer dar fôlego à exportação dos produtos alimentares nacionais. As barreiras sanitárias travam a entrada de fruta ou carne de porco na China e no Japão. Também há quase tudo para fazer nas exportações destes bens na Coreia ou Argentina.
“Há dossiers desde 2001 que estamos a finalizar. Apresentámos [à China] o dossier da carne de porco e derivados e nestas deslocações recentes ficámos a saber que a segunda análise (de gestão de risco do ponto de vista técnico) foi terminada e concluída”, diz Nuno Vieira e Brito. Uma comitiva chinesa deverá vir a Portugal visitar empresas, explorações e matadouros e, se tudo correr como esperado, autorizar as importações desta carne. Na lista de espera estão o arroz e várias frutas.
A Imperial, no segmento dos chocolates, é uma das empresas que têm larga experiência em vencer barreiras, conseguindo vender produtos para cerca de 50 países. Essas exigências, especialmente a nível dos registos sanitários, obrigam a alterações na cadeia de produção, sediada em Portugal. Manuela Tavares de Sousa, CEO da empresa de Vila do Conde, recorda, por exemplo, a necessidade de substituir um dos corantes naturais que utilizavam nas pintarolas para garantir a entrada no Japão, porque não constava da lista daquele país. Destaca ainda a certificação Kosher que teve de fazer para vender chocolates para Israel, e ainda a certificação Halal para poder vender produtos para a Índia.
Fonte: ACOPE com Público
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